Nanquim e fogo : Desenho automático e Exus

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“Quem pode me definir se sou a própria contradição? Nem bom nem ruim, nem quente nem frio, nem sombra nem luz! Mas não se engane, não sou meio-termo. Sou tudo e não sou nada! Ousadia é meu nome. Estou sempre pronto, pra luta ou pra farra. Já te disse meu nome? Sou Exu! Muito prazer!” 


Recentemente fui convidada para participar com as minhas ilustração,  de um livro sobre Exus que está sendo re-lançado pela editora independente Parzifal Publicações. O convite surgiu à partir de uma ilustração em nanquim que fiz seguindo a técnica de desenho automático, que acabou culminando na ilustração de um ser que identifiquei como sendo um exu.
Antes de entrar nas considerações sobre as ilustrações e a experiência do processo, exploremos um pouco da teoria sobre a técnica de desenho automático e a sua relação com as espiritualidades, magia e o inconsciente do artista.

A técnica do desenho automático consiste em desenhar livremente sem interferir racionalmente no processo de criação, deixando que as linhas aleatórias tomem formas abstratas de acordo com os impulsos inconscientes transferidos direto para o papel, à partir dos movimentos subconscientes da mão. O desenho é feito sem planejamento, sem a restritiva do plano mental criativo racional sobre. É criado à partir de formas que habitam o inconsciente e que são transpostas pelo movimento das mãos desprovido de vontade condicionadora.  Continuar lendo

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Breve resumo da história das tintas naturais e suas cores

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“Quando a cor tem a maior riqueza, a forma atinge a plenitude.”  – Paul Cézanne


O termo “tinta natural” que designa as tintas feitas à partir de pigmentos obtidos de matéria prima exclusivamente natural, apenas passou a ser utilizado nos últimos séculos, após 1856 ao inventarem as tintas feitas somente de compostos químicos manipulados em laboratórios dando origem às tintas artificiais. Toda tinta antes dessa revolução na industria de pigmentos e colorantes era considerada simplesmente tinta.

A utilização de fontes naturais como matéria prima para pigmentos coloridos é recorrente em todas as partes do mundo. Praticamente todos os tipos de sociedades e culturas desenvolveram técnicas para dar cor às suas criações. As primeiras tintas que temos registros são as pinturas pré-históricas em cavernas (30.000 – 8.000 a.c) feitas à partir da utilização de terras coloridas, pó de rochas, colas vegetais e animais,  carvão vegetal e sangue. Como terras e rochas são pigmentos altamente duráveis e as pinturas estavam protegidas da ação do tempo nas cavernas, muitas continuam conservadas até os dias atuais Continuar lendo

Uma arte da alma

“Um paradoxo se coloca: o moderno, no presente, volta-se ao passado. Recusa o antigo, mas refugia-se na história: modernidade e moda retrô caminham em par” – Jacques Le Goff 


Talvez meu interesse por arte tenha surgido mais ou menos ao mesmo tempo quando comecei a me interessar por mitologias, deuses antigos, culturas diferentes e tudo aquilo que aguçasse minha curiosidade quando criança. Talvez ai, durante esses tenros anos da infância, é que tenha começado a minha história de interesse pelo invisível através do era visível. É por isso que pra começar a contar a história do surgimento desse blog é que volto no tempo, com a minha própria história. Relembrando minhas memórias. Continuar lendo