Ruptura: Energia da mudança

” Nada é permanente, exceto a mudança “

HERÁCLITO
Ruptura, o exagero da mudança, 2020 – Kaligula

” Em tudo existe um exagero
em ser, sentir

Dizer e fazer

Dos exageros que mais gosto,
a mudança.

A ruptura,
o ponto de ignição

Romper com o velho
abrir espaço para o novo

É minha história de amor favorita “


Conforme o tempo tem passado percebo que não sou nada além do que uma coleção de rupturas. Cada ruptura que abracei durante todas as minhas mudanças de fases é mais importante do que cada casca que vesti.

É assim que tenho visto as coisas ultimamente. Uma coleção de acontecimentos que romperam com uma versão antiga de mim que queria desesperadamente ser morta e enterrada no passado. Tenho enterrado meus fantasmas com belos funerais, flores e muita alegria; deixo eles partirem para se tornarem apenas memórias boas no jardim que tenho construído. Cada casca que vesti durante todos esses anos, se tornou o adubo que tanto precisava pra fazer o solo das minhas certezas se tornar fértil e receptivo para novas sementes serem plantadas.

Nunca imaginei que fosse ser tão canceriana quanto o caranguejo que troca de esqueleto a cada vez que precisa crescer, ou tão serpente quanto Oxumarê que troca de pele a cada estação. Em muitos momentos achei que a dor que fazia agarrar-me a cada casca era o medo da mudança, enquanto que de fato era o medo de manter-se com a mesma casca que me sufocava e turvava meus pensamos. O pânico de manter-se a mesma significava sofrer pelos mesmos desencaixes e algemada na mesma velha prisão karmica.

A alma busca liberdade, não sabemos muito bem da onde vem essa necessidade de liberdade mas sabemos que algo nos prende. Com grande frequência, nossas algemas são trancadas pelas nossas próprias chaves.
Cada vez que abro uma porta nova dentro de mim, exploro um novo cômodo sentimento de redecorar minha alma. Porque é isso que os caranguejos fazem muito bem, decoram suas almas com suas casas e fazem da vida a própria arte. Se somos nosso próprio lar, diria a vocês que meu lar nunca tem a mesma decoração; enjoo fácil da cor das paredes ou dos antigos souvenirs. Preciso estar em movimento colecionando novas experiências, experimentando novos sabores e explorando os mesmos mares em busca de tesouros diferentes.

Assim me entrego a cada ruptura, anseio que o sentimento rasgue meu peito e me faça sair da casca que não me serve mais. Renasço nua, despida das minhas predefinições para então reinventar-me na arte de ser energia em movimento.

Primavera, 2020
Victória Lisboa, a Kaligula

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